Agradeço

“Obrigado por ter se mandado/ter me condenado a tanta liberdade…” (Cazuza)

Muito obrigado. Você saiu por aquela porta, chapinhando minhas lágrimas que empoçavam em cada canto do apartamento, largando ali todos os momentos bons e ruins que passamos juntos. Por um breve momento amaldiçoei a sua decisão insana, minha falta de força em fazer você ficar, nossa relação perfeitamente imperfeita.

Num segundo momento um vazio. Não sabia onde estava, pra onde ir, que rumo tomar. Tudo era deserto, meu coração se recusava a aceitar outros rostos, outros corpos. Só você ardia entre os grilhões que me aprisionavam no inferno da solidão. Os amigos, graças aos céus e aos seus telefonemas desesperados, pedindo que todos ficassem ao lado do coitadinho que estava sofrendo, ou seja, eu, cuidaram de mim. E hoje eles são meu porto seguro, minha verdadeira alegria.

O terceiro passo foi tão rápido…

Os próximos passos me fizeram e fazem lhe agradecer todos os dias. Se não fosse você ter saído da minha vida, eu ainda seria aquele homem preso, confinado na própria cegueira, sem saber quem eu realmente era. Eu era mais você do que eu próprio, suas dores rasgavam meu peito, suas alegrias me extasiavam. Eu era apenas um hospedeiro da sua vida. Ou você era o parasita da minha força?

Apenas sei que agradeço, pois posso dizer com a cabeça erguida, a boca cheia e os braços abertos: Agora sou eu…

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