Livros

RÉQUIEM: SONHOS PROIBIDOS

30029259O que você faria se não pudesse mais sonhar?

Essa é a questão que Petê Rissatti abre com seu romance. Ivan G., o protagonista, vive num mundo regido por uma única mão forte, o Governo Mundial. Um dia, recebe uma carta informando que todos os cidadãos estão proibidos de sonhar e, para isso, deverão tomar o Réquiem, um medicamento que anula qualquer possibilidade de sonhos. A punição para quem tem os sonhos rastreados é pesada e ninguém quer se arriscar. Ivan, um mero organizador de arquivos do Governo, muito menos. Porém, numa noite qualquer, Ivan fica sem Réquiem e acaba cometendo o crime. A partir daí, sua vida vira de pernas para o ar quando se vê envolvido com os revolucionários Sonhadores, numa batalha de morte com o Governo opressor.

“Se em nossa época o pós-humanismo já está se configurando, isso quer dizer que o pós-totalitarismo também. Em breve, os pós-fascistas do mundo todo terão à mão novas e mais refinadas técnicas de controle psicológico e social. Mas é óbvio que o romance de Petê Rissatti não é uma crítica aos avanços na medicina e na biotecnologia. Ele é uma crítica ao uso pervertido de qualquer avanço técnico, por pessoas e partidos que não conheceram análogo avanço moral e político”. – Luiz Bras, escritor e articulista do Guia da Folha.

“Uma distopia moderna que remete a clássicos como Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Ao propor o sonho como metáfora da liberdade, Rissatti nos faz refletir sobre uma época em que somos condicionados a rotinas mecânicas e repetitivas de trabalho, e pensar diferente é um verdadeiro ato de rebeldia. Um de seus méritos é não dividir o mundo entre heróis e vilões, e mostrar que é no meio, e não nos extremos que se encontra a saída saudável”. – Eric Novello, escritor.

“Com força narrativa, algumas doses de sonho, liberdade e opressão, em Réquiem: sonhos proibidos, Petê Rissatti se revela um grande fabulista a engendrar uma das mais instigantes distopias da literatura brasileira”. – Marcelo Maluf, escritor

“É uma distopia que envolve um estado totalitário tentando controlar os sonhos. Prende a atenção em suas 205 páginas, não parece enfadonho ou derivado demais de outras obras (embora haja referências a outros escritores) ”. – Larry Nolen, especialista em ficção científica, em seu blog Of Blog (http://ofblog.blogspot.com.br/2012/12/best-of-2012-translated-and-non.html)

“O romance de estreia do escritor e tradutor Petê Rissatti […] me permitiu revisitar um gênero que há tempos estava esquecido na estante, o de ficção científica, com títulos como ‘1984’, de George Orwell e ‘Admirável Mundo Novo’, de Aldous Huxley”. – Helder Lima, jornalista, em seu blog e coluna de jornal Livros & Ideias (livroseideias.wordpress.com)

Com enredo fluido em parágrafos longos (característica da escrita alemã adquirida em seu trabalho como tradutor), Petê leva o leitor a um passeio nos meandros do poder e seus desvãos, bem como no coração do comando dos insurgentes por meio de personagens bem construídos. Realidade e ilusão parecem se misturar até o desfecho final, absolutamente inesperado, que nos faz rever mentalmente toda a história e tentar descobrir quando ela de fato começou e, se sequer, terminou. Um feito e tanto para um autor jovem, com apenas dois contos publicados em antologias”. – Nanete Neves, escritora, preparadora de textos e ghostwriter

Climatizador ligado, luzes de apagamento gradual em funcionamento, banho químico tomado. Um chá ajudaria a dormir mais rápido. Ivan foi até a cozinha, imerso no torpor característico do pré-sono, ligou a eletrochaleira e quando ouviu o pequeno estalo da água fervida, despejou o líquido na xícara e aguardou os três, dois, um minuto da infusão. Tomou a bebida em pequenos goles após ter queimado a língua no primeiro, o sono cada vez mais forte pendurado nas pálpebras. No meio do chá abandonou a xícara no criado-mudo, bateu duas vezes o dedo no interruptor para que a luz abaixasse mais rápido, em dez minutos ela abaixaria automaticamente mais um pouco, em cinco, em três, até a escuridão se instalar de uma vez. Ainda de olhos semiabertos, Ivan via o nada e temia que algo acontecesse durante o sono. Era uma sensação que mesclava horror e excitação, tremores percorriam seu corpo, apesar de a temperatura a 19 graus ser mantida pelo climatizador do quarto. A química do Réquiem estava em sua corrente sanguínea, não havia com que se preocupar. Sua mãe dissera, ele não precisava temer. Rolou na cama algumas vezes, ligou o abajur para tentar ler um pouco, mas não conseguia se concentrar. Até que finalmente adormeceu.

E teve um sonho.

BLABLABLOGUE – CRÔNICAS E CONFISSÕES

    2809936O escritor Nelson de Oliveira organizou para a Terracota Editora a antologia Blablablogue: crônicas & confissões, reunindo os melhores textos de vinte e um blogueiros do país. Os convidados para participar da antologia são todos escritores: onze veteranos de prestígio reconhecido, com livros já publicados — Ademir Assunção, Andréa del Fuego, Marcelino Freire, Fabrício Carpinejar, Índigo, Ivana Arruda Leite, entre outros —, e dez bons estreantes a caminho do reconhecimento.

    Veja o comentário da Lilian Pacce sobre o livro:

    http://www.lilianpacce.com.br/moda/blablablog-livro-blogs/

    TODOS OS PORTAIS

    todos

    Todos os portais: realidades expandidas reúne alguns textos publicados nos seis volumes da revista independente Projeto Portal. O Projeto Portal foi uma revista de contos de ficção científica editada no sistema de cooperativa. A pequena tiragem de cada número foi paga pelos participantes e os exemplares foram divididos entre eles. O Projeto Portal não se destinava ao grande público, mas apenas ao pequeno grupo de aficionados mais refinados. Nosso lema era: poucos exemplares para poucos leitores exemplares. Por isso os exemplares da revista não foram vendidos, eles foram distribuídos entre os melhores leitores do país. Todos os portais: realidades expandidas é uma seleção de narrativas dos seis números do Projeto Portal. São vinte e um contos, vinte e um autores. Agora em edição comercial.

    Contos de: Ana Cristina Rodrigues, Ataíde Tartari, Braulio Tavares, Brontops Baruq, Carlos Emílio C. Lima, Claudio Brites, Fábio Fernandes, Geraldo Lima, Ivan Hegenberg, Jacques Barcia, Laura Fuentes, Luiz Bras, Marco Antônio de Araujo Bueno, Maria Helena Bandeira, Mayrant Gallo, Mustafá Ali Kanso, Petê Rissatti, Ricardo Delfin, Richard Diegues, Roberto de Sousa Causo, Tiago Araújo.

    Sobre o organizador

    Nelson de Oliveira aposentou-se definitivamente da literatura em 1° de janeiro de 2012. Ele, a mulher e a filha saíram do país. Fontes pouco confiáveis afirmam que estão no Caribe, gozando de merecidas férias. Em cima de sua mesa de trabalho foi encontrada (quem encontrou? não sei, talvez a empregada, talvez um parente próximo) uma pasta endereçada ao amigo e editor da Terracota, Claudio Brites. Dentro da pasta estavam os contos selecionados por Nelson para a antologia Todos os Portais + o texto de apresentação + o sumário (ordem em que os contos deveriam aparecer no livro) + recomendações gerais quanto à capa e o projeto gráfico. Havia também um bilhete endereçado ao editor: “prezado amigo, publique quando achar conveniente”.”

    ASSIM VOCÊ ME MATA

    assim

    Um casal só consegue se comunicar por meio de frases do cancioneiro romântico – Marcio Greyck, Núbia Lafayete e Reginaldo Rossi fazem parte do repertório. Um estudante se apaixona por uma anã de personalidade forte. A chegada de um pinguim de geladeira causa discórdia entre as demais miniaturas de um jardim. Um músico decadente vive um caso de amor com uma prostituta. Uma jovem tenta cuidar da mãe embriagada que, só de calcinha e penhoar rosa, entoa Maíra. Estas são algumas das histórias que compõem <em>Assim você me mata</em>. No livro, 20 autores brasileiros assinam contos que têm como mote os elementos do universo brega.

    Contos de: Adrienne Myrtes, Alessandro Garcia, André de Leones, Caio Silveira Ramos, Daniel Lopes, Eric Novello, João Anzanello Carrascoza, Kizzy Ysatis, Luciana Miranda Penna, Marcelino Freire, Marcelo Maluf, Natércia Pontes, Pedro Salgueiro, Petê Rissatti, Plinio Camilo, Reynaldo Bessa, Ricardo Delfin, Santana Filho, Valério Oliveira, Xico Sá.

    Sobre o organizador

    Claudio Brites é editor da Terracota, além de trabalhar como freelancer para outras editoras. Formado em Letras, Mestre em Linguística, atualmente cursa Psicologia. Como escritor, já publicou textos esparsos e organizou algumas coletâneas, entre elas Cartas do fim do mundo (ao lado de Nelson de Oliveira), que contou com a participação de Márcio Souza, Menalton Braff, Moacyr Scliar, Raimundo Carrero, entre outros. Em 2010, publicou um romance em coautoria, A Tríade. Seu romance, Talvez, foi contemplado pelo Programa de Ação Cultural — ProAC 2011 — da Secretaria Estadual de Cultura e publicado em 2013. Twitter: @claudiobrites.

    Veja o que saiu sobre o livro no Globo e no Diário do Nordeste
    Trecho do conto de Petê Rissatti, “Feminilidades.

    Era um homem bonito que estava se transformando em uma mulher feia.

    Ramón foi um homem bonito. E bem sucedido. Tinha muito do que merecia e também aquilo que não merecia. Talvez fosse a beleza, ou a lábia, que o tornara um vencedor. Ao menos na vida profissional, que ele priorizou para não ter de pensar. Sua vida era cobiçada por muitos. Nas questões materiais, pouco precisa se preocupar, conseguia viver razoavelmente com seu salário de editor-chefe numa badalada revista de cultura, cargo que suou para conseguir.

    Nada disso adiantou ao tomar a decisão.