[Amostras de tradução]

Aqui você vai encontrar trechos de algumas obras traduzidas dos idiomas alemão e inglês e já publicadas em português. Esses trechos foram retirados dos textos já editados e lançados. As informações de autoria e editora estão ao final de cada texto, tanto o texto no idioma original quanto o texto em português.

TEXTO NO IDIOMA ORIGINAL

Brasilien: Zuerst ein Nachhilfekurs für Europäer

Wenn ich, liebe europäische Leser, mit einem kleinen Nachhilfekurs beginne, so geschieht dies aus derÜberzeugung, daß wir von Brasilien erstaunlich wenig wissen; dies war ja auch der erste beschämende Eindruck, den ich selber erfuhr Was wir auf der Schule lernten, haben wir größtenteils schon vergessen, und selbst, was wir uns merkten, hat wenig Belang, denn die Zahlen und Daten stimmen längst nicht mehr, die Wirklichkeit hat sie im Eiltempo überrannt; außerdem müssen wir uns endlich (es ist Zeit, höchste Zeit) daran gewöhnen, unsere europäische Optik umzustellen und zu erkennen, daß die andern Kontinente in ganz andern Dimensionen sich entwik- keln und das Schwergewicht sich von unserer »kleinen Halbinsel Asiens« (wie Nietzsche sie nannte) bedenklich wegverschiebt. Es bleibt ein typischer psychologischer Fehler von Eltern, immer als die letzten zu bemerken, daß ihre Kinder längst schon geistig selbständige und erwachsene Menschen sind; so können sich bei uns viele noch immer nicht an den Gedanken gewöhnen, daß die einstigen Kolonien Europas längst sowohl geistig als wirtschaftlich organische Staaten und sogar Welten geworden sind.

“EINE KLEINE REISE NACH BRASILIEN”, in: LÄNDER, STÄDTE, LANDSCHAFTEN, Stefan Zweig, Fischer Taschenbuch Verlag


HUSHFLOWERS ALWAYS BLOOMED WHEN the night was longest. The whole city celebrated the day the bundle of petals peeled apart into rich red–partly because hushflowers were their nation’s lifeblood, and partly, Akos thought, to keep them all from going crazy in the cold.

That evening, on the day of the Blooming ritual, he was sweating into his coat as he waited for the rest of the family to be ready, so he went out to the courtyard to cool off. The Kereseth house was built in a circle around a furnace, all the outermost and innermost walls curved. For luck, supposedly.

Frozen air stung his eyes when he opened the door. He yanked his googles down, and the heat from his skin fogged up the glass right away. He fumbled for the metal poker with his gloved hand and stuck it under the furnace hood. The burnstones under it just looked like black lumps before friction lit them, and then they sparked in different colors, depending on what they were dusted with.

CARVE THE MARK, Veronica Roth, Harper Collins


Das Jahr begann jetzt. Die Juniunruhe war endgültig vorbei, die Zeit der brütenden Hitze und nackten Oberarme. Die Sonne knallte durch die Glasfront und verwandelte das Klassenzimmer in ein Treibhaus. In leeren Hinterköpfen keimte die Sommererwartung. Die bloße Aussicht darauf, ihre Tage nichtsnutzig zu verschwenden, raubte den Kindern jede Konzentration. Mit Schwimmbadaugen, fettiger Haut und schwitzigem Freiheitsdrang hingen sie auf den Stühlen und dösten den Ferien entgegen. Die einen wurden fahrig und unzurechnungsfähig. Andere täuschten wegen des nahenden Zeugnisses Unterwürfigkeit vor und schoben ihre Bio-Leistungskontrollen aufs Lehrerpult wie Katzen erlegte Mäuse auf den Wohnzimmerteppich. Nur um in der nächsten Stunde nach der Benotung zu fragen, mit gezücktem Taschenrechner, begierig darauf, die Verbesserung ihres Durchschnitts auf drei Stellen hinter dem Komma zu berechnen.

Aber Inge Lohmark gehörte nicht zu den Lehrern, die am Ende des Schuljahres einknickten, nur weil sie bald ihr Gegenüber verlieren würden. Sie hatte keine Angst davor, so ganz auf sich gestellt in die Bedeutungslosigkeit abzurutschen.

Einige Kollegen wurden, je näher die Sommerpause rückte, von geradezu zärtlicher Nachgiebigkeit heimgesucht. Ihr Unterricht verkam zum hohlen Mitmachtheater. Ein versonnener Blick hier, ein Tätscheln da, Kopf-Hoch-Getue, elendiges Filmeschauen. Eine Inflation guter Noten, der Hochverrat am Prädikat Sehr gut. Und erst die Unsitte, Endjahresnoten abzurunden, um ein paar hoffnungslose Fälle in die nächste Klasse zu hieven. Als ob damit irgendjemandem geholfen wäre. Die Kollegen kapierten einfach nicht, dass sie nur ihrer eigenen Gesundheit schadeten, wenn sie auf die Schüler eingingen. Dabei waren das nichts als Blutsauger, die einem jede Lebensenergie raubten. Sich vom Lehrkörper ernährten, von seiner Zuständigkeit und der Angst, die Aufsichtspflicht zu verletzen. Unentwegt fielen sie über einen her. Mit unsinnigen Fragen, dürftigen Eingebungen und unappetitlichen Vertraulichkeiten. Reinster Vampirismus.

DER HALS DER GIRAFFE, Judith Schalansky, Suhrkamp Verlag

TRADUÇÃO (publicada)

Brasil: para começar, uma aula de atualização para europeus

Se eu, caro leitor europeu, começo com uma pequena aula de atualização sobre o Brasil, faço pela certeza de que nós sabemos surpreendentemente pouco sobre o país; foi essa a primeira impressão vergonhosa que eu mesmo tive. Grande parte do que aprendemos na escola já foi esquecido por nós; e, do que nos lembramos, pouco importa, pois os números e dados há muito não conferem, ficaram aquém da realidade em ritmo acelerado. Além disso, precisamos de uma vez por todas nos acostumar (já é hora, já está mais que na hora) a mudar nossa perspectiva europeia, reconhecer que os outros continentes se desenvolvem em dimensões totalmente diversas e que o enfoque se afasta de forma alarmante de nossa “pequena península da Ásia” (como Nietzsche a chamava). Resiste em nós um erro psicológico típico dos pais que sempre são os últimos a notar que os filhos há muito já são pessoas intelectualmente independentes e adultas; por isso, muitos ainda não conseguem se habituar com o fato de que as antigas colônias da Europa se transformaram em Estados – e até mesmo em mundos – intelectual e economicamente orgânicos.

PEQUENA VIAGEM AO BRASIL, Stefan Zweig, org. da profa. Heike Muranyi, Versal Editores


AS FLORES-SOSSEGO SEMPRE SE ABRIAM durante a noite mais longa. A cidade inteira celebrava o dia em que o conjunto de pétalas desabrochava em um intenso vermelho – por um lado porque as flores-sossego eram o sangue da nação e, por outro, pensou Akos, para impedir que todo mundo enlouquecesse no frio.

Naquela noite, no dia do ritual do Florescimento, Akos estava suando em seu casaco enquanto aguardava o restante da família se aprontar, então foi até o pátio se refrescar. A casa dos Kereseth havia sido construída em um círculo ao redor de uma fornalha, as paredes mais próximas e as mais distantes eram curvadas. Para dar sorte, ao que parecia.

Assim que abriu a porta, seus olhos arderam com o ar congelante. Akos abaixou rapidamente os óculos de proteção, e o calor de sua pele embaçou o vidro no mesmo instante. Tateou em busca do atiçador metálico com a mão enluvada e empurrou-o sob a tampa da fornalha. As pedras ardentes embaixo dela pareciam torrões pretos antes de a fricção acendê-las, e depois cintilaram em cores diferentes, em consequência do pó usado para atiçá-las.

CRAVE A MARCA, Veronica Roth, Rocco Jovens Leitores


Era o começo do ano letivo. A inquietação de junho, época de calor opressivo e braços nus, havia passado. O sol percorria a fachada envidraçada e transformava a sala de aula numa estufa. No fundo das cabeças vazias, germinava a expectativa pelo verão. A simples perspectiva de desperdiçar os dias no ócio completo roubava a concentração dos alunos. Com a visão embaçada de quem saiu da piscina, com a pele oleosa e o desejo acalorado de liberdade, eles permaneciam presos nas cadeiras e sonhavam com as férias que se aproximavam. Alguns pareciam distraídos e incapazes de raciocinar, outros fingiam submissão por conta dos boletins iminentes e empurravam a prova de biologia para a mesa da professora como gatos deixando ratos mortos no tapete da sala. Na aula seguinte, perguntavam sobre a nota, com a calculadora de bolso a postos, ansiosos por melhorar a média em três décimos.

Mas Inge Lohmark não era uma daquelas professoras que se curvavam ao fim do período letivo apenas por que estavam prestes a perder sua platéia. Não tinha medo de deslizar sozinha para a irrelevância.

Alguns colegas, quanto mais se aproximavam as férias de verão, mais eram atormentados pela permissividade quase terna. Suas aulas degringolavam numa espécie de teatro interativo e vazio. Um olhar pensativo ali, um tapinha nas costas acolá, as frases de encorajamento de sempre, lastimáveis exibições de filmes. Uma inflação de notas boas, a alta traição do Excelente. E, então, o mau hábito de arredondar as notas finais para arrastar alguns casos perdidos para o próximo ano. Como se isso ajudasse alguém. Os colegas simplesmente não entendiam que prejudicavam apenas a própria saúde quando mostravam interesse pelos alunos. No fim das contas, estes não passavam de vampiros que roubavam toda sua energia vital. Alimentavam-se do corpo dos professores, de sua autoridade, prejudicando seus deveres. Sempre atacavam um deles com perguntas absurdas, sugestões ridículas e intimidades insípidas. O mais puro vampirismo.

O PESCOÇO DA GIRAFA, Judith Schalansky, Alfaguara