Fique de olho em John Scalzi

No agitado ano de 2015, traduzi três obras de um autor pelo qual me afeiçoei muito – e do qual espero ainda traduzir muito mais. Minha afeição veio do jeito que um autor precisa seduzir um leitor: pela escrita.

O nome dele é John Scalzi.

A Aleph me deu a oportunidade de conhecer esse cara por meio da obra mais famosa dele, A guerra do velho, que ao que parece será lançada ainda no primeiro semestre de 2016. E com ela ele já conquistou meu coração de leitor. Uma ficção científica que aparentemente não tem nada de cerebral, de cabeçudo, mas que tem várias camadas de “seriedade” e lirismo em toda a zoeira que o cara apronta nas duzentas e poucas páginas do livro.

Depois foi a vez de Lock-In (ainda sem título), uma história bem diferente da primeira. Mas da mesma maneira escrita com cuidado, de forma divertida, mas que levanta questões muito pertinentes de relações humanas e diversidade. E foi um livro que me deu um baile na hora de traduzir por uma questão bem específica, muito em voga nos últimos tempo, mas que não vou revelar aqui para não estragar o molho do livro. Quem já leu em inglês e descobriu, pode vir aqui comentar depois (no spoilers).

E o último de 2015 – espero que seja só de 2015, que nos próximos anos eu ainda consiga traduzir mais Scalzi – foi Redshirts, uma grande paródia de Jornada nas estrelas na qual ri quase do começo ao fim. Uma metaficção recursiva (como dizem os próprios personagens do livro) que em muitos momentos dá um nó na cabeça de desavisados. Espero que os fãs de Star Trek se divirtam tanto quanto eu me diverti traduzindo. E esse livro tem um formato diferente: três codas, três “continuações” para personagens que aparecem no livro mas não têm tanto destaque, histórias separadas que exploram visões diferentes das duzentas e tantas páginas anteriores. Existe até um texto do próprio Scalzi (em inglês) explicando sobre a decisão de fazer três “contos” separados, mas relacionados ao livro, em vez de enfiar essas histórias na obra.

O tom sempre satírico de Scalzi não se restringe aos livros, mas em sua conta do Twitter e em seu blog, o Whatever, ele também destila veneno, brinca com fãs e conta sobre o processo criativo. Mas há momentos muito emocionantes nesses três livros que traduzi, mostrando que o autor tem também feeling para fortes emoções.

Para quem não ouviu falar, fique de olho em John Scalzi. Para quem já curte, espero que goste das traduções que chegarão às livrarias em breve.

P.S.: Para quem quiser saber um pouco mais, a Aleph fez um vídeo sobre os lançamentos de 2016, no qual o Daniel e o Adriano falam sobre o cara. Confiram abaixo.

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