Resenha de Marcados – Caragh M. O’Brien – Sem Spoiler

Marcados nos apresenta uma história futurística porém, com alguns elementos contemporâneos, como a desigualdade social e as atitudes dissimuladas daqueles que estão no poder.
 
Sua protagonista decidida e valente, definitivamente está entre as personagens que nos inspiram.
A história é envolvente e as reviravoltas na trama prendem a atenção do leitor, que se vê participando de cada cena e tentando decifrar os códigos deixados pelos pais de Gaia ao mesmo tempo que acompanha seus planos para transpor os muitos obstáculos que surgem em seu caminho. 

[…]

“Uma leitura estimulante e provocativa, graças ao ritmo consistente , com uma heroína bem construída e algumas surpresas e reviravoltas na trama.”  

Em meados dos anos 2400, o mundo é dividido por uma muralha e os que vivem do lado de dentro, o chamado Enclave, são privilegiados que usufruem de conforto, educação e tecnologia; longe de pobreza e de doenças; além de contarem com a segurança da guarda e a proteção do Protetorado.

Ao mesmo tempo tão perto e tão distantes deste mundo invejável, estão as pessoas que vivem do lado de fora da muralha. Que trabalham para servir ao Enclave e mesmo assim contam com poucos recursos, possuindo somente o necessário para sobreviver. Como é o caso da família de Gaia Stone.
 
Gaia é uma jovem de 16 anos que segue os passos de sua mãe, Bonnie, parteira responsável pelo Setor Oeste Três, em Wharfton.
 
Os três primeiros bebês de cada mês devem ser tirados de suas mães, que posteriormente receberão uma indenização e, entregues ao Enclave para que sejam criados por uma das famílias que ali vivem e tenham a oportunidade de uma vida melhor, sendo destinados a uma realidade bem diferente da que crianças de fora da muralha vivem. 
Crianças que excedem o limite mensal imposto pelo Enclave não são aceitas, bem como crianças “defeituosas”. 
 
Aos dez meses, Gaia foi vítima de um acidente que queimou por completo a metade esquerda de sua face, deixando uma terrível cicatriz como uma amarga lembrança. Durante muitos anos, os olhares e murmúrios de pessoas que a olhavam com semblante piedoso a incomodaram e a garota acostumou-se a esconder-se por trás de uma cortina de cabelos.
 
Uma noite, a caminho de casa Gaia é abordada pela Velha Meg, que lhe dá a notícia de que seus pais foram presos pelo Enclave e há um guarda na casa, a espera da menina. Antes de ir embora, Velha Meg entrega à Gaia um pacote marrom, deixado por Bonnie
Ao entrar em casa, Gaia se depara com o Sargento Grey, que a interroga em busca de uma lista, criada por BonnieGrey é um personagem que ganha espaço ao longo da trama e sua presença torna-se gradativamente notável, tornando-se imprescindível em diversos momentos.
“Eu estava bem, de verdade. Estava indo bem até aquela noite, quando me mandaram para fora das muralhas para interrogar uma parteira jovem e difícil.”

Gaia ainda não sabe mas a cada bebê nascido pelas mãos de Bonnie, uma marca foi feita e uma lista foi ampliada. E ao abrir o pacote que recebera da Velha Meg, a garota encontra uma fita repleta de códigos que só ela poderá desvendar ao mesmo tempo que tenta salvar a vida dos pais.
 
Ao entrar clandestinamente no Enclave e presenciar uma execução em praça pública, Gaia descobre que as coisas não são tão perfeitas quanto pareciam ser deste lado da muralha. As pessoas vivem sob o controle do Protetorado e a injustiça é o que impera. 
“O corpo permanecia mole, sem reação, e Gaia lutou contra as lágrimas de frustração. Ela chegou tarde demais. Demorou muito. Estava morto como o pai e a mãe, assassinado pelo Enclave antes de ter a chance de respirar seu ar corrupto.”

Ao longo de sua trajetória, Gaia encontra pessoas que decidem ajudá-la e passa a enfrentar, de forma corajosa e inteligente, as repreensões que a aguardam. Munida de um rancor lento e ardente contra a injustiça, agora Gaia parece estar pronta para esquecer a cicatriz que antes a fazia sentir-se inferior, para finalmente tornar-se o centro de uma luta pela igualdade, pela liberdade e sobretudo, pela vida.

 “De algum apartamento acima, o cheiro temperado de um ensopado mesclado ao cheiro da chuva lembrava Gaia de forma zombeteira que o resto do mundo estava preparando o jantar cotidiano enquanto ela poderia estar dando seus últimos passos.” 

 
Me apaixonei pelos personagens desse livro e pela luta de Gaia. 
E você, o que achou? Ficou curioso para ler o livro? Deixe seu comentário.

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