Baby, eu sou sincero

Eu comprei esse livro na Bienal de 2011 por 3 motivos:

1) Estava precisando de uma comédia na minha estante, então quando li na capa a frase “A história real e bem-humorada de um homem que tentou viver sem mentir” eu disse: PRECISO disso.
2) Quando li a sinopse e vi do que se tratava eu disse: É a história da minha vida! (Piada byLisa)
3) Quando eu já tinha decidido comprar e estava com o livro em mãos para pagar, surgiu uma mulher do nada apontou para o livro na minha mão e disse obcecadamente: “ESSE LIVRO É MUITO BOM! VOCÊ PRECISA COMPRAR ELE! MUITO BOM MESMO!” o.O
Então tá, né. Melhor não contrariar. Comprei.
Eu sou sincero. Eu sou tão sincero que digo o quê todo mundo quer dizer mas não tem coragem. Eu sou tão sincero que a música que tocou quando eu fui receber o meu diploma do curso técnico na colação de grau foi a da abertura de Super Sincero (♫ Baby, eu sou sinceeeeeeero ♫. Alguém lembra?). Eu sou tão sincero que disse “Só 40 dias? Eu estou quase a vida toda nisso” quando li a sinopse de Sincero.
Vocês podem pensar que tem muita arrogância, altivez e vanglória no parágrafo acima, mas não. Sinceridade nem é nada de mais. Às vezes eu nem sei se é uma virtude ou uma maldição. Independentemente dos resultados de uma opinião sincera, o que mais valorizo em ser sincero é a sensação de liberdade. Gente, é muito bom! Você fala o que realmente acha, sem pensar no que omitir, no que distorcer e pronto. Mentir que é difícil! Minha cabeça iria entrar em parafuso se eu tivesse que inventar uma mentira para cada verdade que supostamente não deveria ser dita.
Não é que eu não minta. Digamos que eu tenha uma resitência à mentira BEM maior do que uma pessoa normal. Mentira pra mim, só em caso de vida ou morte, literalmente.
“Sincero” foi um livro que me ganhou logo de início. Mentira (Oops!), antes de começar a ler eu já tinha sido cativado. Eu simplesmente adorei todas as teorias, citações (E olha que o autor pesquisou bastante pra escrever esse livro) e situações constrangedoras sobre verdade, mentira e sinceridade. Ri com a comédia mas, mesmo sem ela, o livro é interessante. Claro que o narrador tinha que ser quase uma versão masculina de protagonista de chick-lit para um livro sem ação e mistério dar certo, sem ficar com cara de auto-ajuda. De cara, o Jurgen é sincero com a gente: Ele diz que xinga, fuma, olha para outras mulheres mesmo sendo casado e se acha o máximo. E também quer que a gente compre o livro dele para ele ganhar mais dinheiro.
O livro deu parafuso até na minha cabeça e me pôs a pensar se sinceridade tem limites e se eu não sou simplesmente um idiota pertubador da harmonia na sociedade ou um magoador de almas carentes. Eu até inventei meu projeto de ficar uma semana mentindo mas não aguentei 3 dias. Sério, não dá. Eu GOSTO de ser sincero e mesmo que inconveniente às vezes, faz um bem danado. O Jurgen já foi menos afortunado do que eu, porque o projeto lhe deu um prejuízo financeiro considerável, um soco nas costelas e várias, VÁRIAS noites no sofá.
Vemos o jornalista tendo que enfrentar as situações mais comuns do dia a dia com sua sinceridade radical, no trabalho, em casa, com a família, amigos, o que rende cenas constrangedoras! O mais interessante é que tudo isso é baseado em fatos reais. O livro é quase um diário.
Outra coisa que achei genial no livro (e aqui o Jurgen ganha pontos em criatividade) foi a forma de apresentar os personagens ao leitor, contando que tipo de perguntas os fariam ganhar pontos num programa de perguntas e respostas.

“Ela se parece um pouco com a Miranda de Sex and the City, mas tem a mania de sapatos da Carrie e o sucesso profissional da Samantha. Ela é totalmente Sex and the City, o que a torna uma pessoa muito simpática (…). E os pontos fortes de Nina num programa de perguntas e respostas seriam:

– Citações de Jornadas nas Estrelas
– Direito tributário
– Sex and the City
– Marcas de prosecco
– Tinturas de cabelo e cílios
– Episódios do programa infantil Bernd, o pão.”

Tem como não gostar??? *-*
Ao longo da experiência, Jurgen vai aprendendo o que dá certo e o que não dá e nós vamos construindo nosso pensamento sobre mentira e sinceridade.
O livro não é hilário, e só por isso eu não dei 5 estrelas no Skoob, é um livro mais reflexivo embora tenha alguns diálogos imperdíveis e situações inusitadas.
Recomendo esse livro pra todo mundo e fico na torcida de que ele gere, pelo menos, um pouquinho mais de sinceridade nos outros. #oremos

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