¡Hola!

Don Quijote, Pablo Picasso

Sim, comecei a aprender espanhol. Minha única experiência real com o idioma de Cervantes foram as aulas com a professora Roseli Daltério, na Ibero-Americana (era a língua complementar para os cursos de tradução) e uma pequena viagem a Cuba para um congresso de germanística, uma experiência fantástica na isla del Capitán. E apenas com essa viagem que percebi como é rica e bonita a língua dos hermanos. Não comecei do básico, pois esse aprendizado, mesmo que distante, ficou na cabeça e pude dar uma avançadinha e entrar no nível intermediário.

A primeira aula foi na segunda-feira passada e uma das minhas dificuldades foi a de me concentrar para não disparar a falar português. Acredito que no início esse seja o grande problema, que pelo visto algumas pessoas não conseguem superar em médio prazo.

Aprender um idioma (de verdade, eu digo) exige algumas coisas das pessoas que hoje em dia quase ninguém está disposto a ter e se conceder. Inclusive, essas coisas costumam causar pavor nas pessoas e os fast courses se multiplicam como coelhos por conta dessa ojeriza que a maioria tem delas. Tempo, dedicação e paciência são elementos fundamentais (ao meu ver) para se aprender um idioma. Mesmo que seja um idioma mais próximo do nosso, como no caso do espanhol, e mais ainda quando o idioma ficar muito distante da nossa realidade.

Encontrei uma moça, a Tatiana, que acaba de começar o curso na mesma escola que eu. Por acaso, quando viu que eu estava voltando da mesma escola, me pediu para que eu a acompanhasse até o seu carro, pois havia um cara meio estranho rondando a escola e ao que parece havia escolhido a moça como possível vítima. Conversamos um pouco, ela teve uma experiência com o aprendizado do alemão e me disse logo de cara algo que ninguém nunca havia dito para mim de primeira, algo em que acredito muito: para aprender o alemão, é necessária dedicação praticamente diária, ao menos no início, para que o restante do aprendizado (que pode levar vidas e vidas [risos]) seja mais tranquilo. Acredito que não excluo nenhum idioma dessa regra, visto que o aprendizado vem com a repetição e internalização de estruturas e, em seguida, com a liberdade para brincar com essas estruturas dentro das possibilidades da língua e do léxico. Errar, acertar, como ao aprender sua primeira língua, e corrigir no banco de dados da cabeça o que seja necessário. Um ótimo [e muito rígido] professor que tive no Goethe, o Henrique Oliveira, sempre dizia: Die Wiederholung is die Mutter der Sprache, a repetição é a mãe do idioma.

 Desejem-me sorte nessa nova empreitada. Também tenho uma pergunta a quem se interessar a responder: para você, qual seria uma boa fórmula para aprender um idioma?

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