Um filme, dois mundos

Em um mundo melhor (Haevnen, 2010 – Dinamarca/Suécia) é o tipo de filme que prega uma peça na gente por seu início atípico: a paisagem africana, um médico tratando doentes, mais uma história sobre as misérias e sofrimentos do continente negro. Porém, as misérias são outras. De um lado do mundo está Anton (Mikael Persbrandt), o médico, enfrentando as mais duras situações para dar um pouco de esperança a um povo num assentamento de refugiados africano. Na Dinamarca, sua terra natal, está sua mulher, Marianne (Trine Dyrholm), seus filhos e uma separação iminente. O mais velho, Elias (Markus Ryggard), sofre bully na escola de uma turma liderada por um menino mais velho. Quando Christian (William Johnk Nielsen), que acaba de perder sua mãe e vai morar com o pai e a avó na Dinamarca, chega na escola, une-se a Elias para vingar-se do seu perseguidor. Porém, Christian, abalado pela morte da mãe, desenvolve comportamentos cada vez mais violentos e envolve Elias, até então um garoto pacífico.

O título do filme em si traz uma alfinetada. Apesar da vontade que temos de melhorar o mundo, de sermos éticos e corretos, temos a nossa essência humana, atribulada. Numa cena do filme, há uma frase dita por Anton que parece um clichê, mas que resume o filme e nossas atitudes perante o mundo: "Ele bate em você, você revida. É assim que começam as guerras". E as pequenas guerras, essas que travamos em nosso dia a dia, que descambam em vinganças e revides, podem ter consequências muito mais graves. A diretora Susanne Bier trouxe, a partir do microcosmo daquela família em ruínas que tenta se reerguer, reflexões que espelham a situação mundial e do ser humano, tão imperfeito, tão em busca de rumo.

Ganhador do Oscar e do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro em 2011.

2 Comentários Um filme, dois mundos

  1. Laura Fuentes 25 de março de 2011 at 16:17

    Esse filme já estava na minha listinha, mesmo depois de alguns amigos considerarem-no chato, arrastado. Mas agora, depois do teu comentário, vou loguinho…rs

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    1. Petê Rissatti 25 de março de 2011 at 16:19

      Como já conversamos, Laurinha, há coisas chatas que são ótimas e coisas legais que são péssimas. Mesmo assim, achei o filme no meio termo, tem uma barriguinha uma hora, mas nada que desabone a obra. Vale a pena, viu?

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