Milan Kundera e A Brincadeira

“O homem, essa criatura que aspira ao equilíbrio, compensa o peso do mal com que lhe partem a espinha, com a massa do seu ódio” (Milan Kundera, A brincadeira.)

Nos primeiros sete meses deste ano posso dizer que li alguns livros, porém, desenvolvi uma fixação por Milan Kundera e, um atrás do outro, li A insustentável leveza do ser, considerado uma obra prima da literatura contemporânea, A ignorância, que foi uma espécie de complemento deste primeiro, num enfoque mais atual e A brincadeira, primeiro livro de Kundera, de 1967, quando ainda vivia na antiga Tchecoeslováquia pré-revolução, no qual critica duramente a invasão soviética e a mão-de-ferro do Partido. A história consiste na memória de várias pessoas, em especial do protagonista Ludvik, que sofre nos anos de dominação russa e obediência cega ao partido comunista por conta de uma leve brincadeira de faculdade, que lhe rendeu um exílio e um amor conturbado. Após seu sofrimento, ele resolve pregar outra peça, mas agora não como jogo, mas como vingança ao seu passado sombrio, que volta ao seus braços como redenção. Além de uma crítica ferina ao cerceamento da liberdade de expressão e à submissão dos tchecos ao regime vermelho, Kundera mostra como destinos intrinsecamente cruzados devem se cumprir, aconteça o que acontecer. E temos que sempre contar com isso em nossos atos, pois o futuro, de acordo com vários estudiosos e filósofos, já está acontecendo e depende de nossas decisões para se encaminhar da melhor maneira (vide o prólogo d’A insustentável leveza do ser).

Kundera é do caralho.

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