Chuva, chuva


“Vai chover, de novo deu na TV, que o povo já se cansou, de tanto o céu desabar…” (Maria Rita, Santa Chuva)

Sopra um vento forte, primeiro, trazendo o anúncio da chuva. Depois de um dia quente, de sol radiante e muita luz, a noite pousa um manto manchado de cinza das nuvens e sopra baixinho uma brisa leve, tímida. Transforma-se em ventania, essa brisa, sem nenhum pejo de dizer a que veio, traz as primeiras gotas para mostrar seu choro incontido.

Chuva que traz o friozinho gostoso para dormir juntinho, que leva e lava as lembranças ruins que amargam a vida e turvam os olhos para novos horizontes, deixa a alma leve, solta, brincalhona, mesmo que a névoa espessa por vezes tente nos cobrir de tristeza, de mágoa.

A chuva traz o perdão. Pelo coração ferido com tantas estacas, cada uma mais profunda que a outra, novas estacas que se cravam de lados inimagináveis, que sangram nosso peito sem manchar a roupa, mas machucam tanto como se o fizessem. Nessa chuva, esquecer o passado dolorido é mais fácil, mais dócil fica o peito quando ouve o tamborilar das gotas na janela.

O concreto cinza escurece com a água do céu. Clareia o peito, chuva amiga, que se cura a cada dia.

2 Comentários Chuva, chuva

  1. # thiago 24 de julho de 2007 at 14:20

    Muito bonito!
    Só vc para enxergar tantas coisas bonitas através da chuva…

    Responder

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